Enquanto houver luta, haverá História!

GESTÃO: ATITUDE & RESISTÊNCIA
Mãos Dadas-

quinta-feira, 22 de março de 2012

Pinheirinho, Quilombo Rio dos Macacos e Calabar, o que eles têm em comum?


O Brasil é um país onde pobreza tem cor e sexo, e onde os direitos estão assegurados a uma parcela mínima da sociedade. Aqui não queremos tratar das exceções, estamos tratando justamente das regras. Não queremos saber dos empresários que lucrarão com a especulação imobiliária. Queremos saber das comunidades que perderam suas casas, o espaço onde cresceram e firmaram laços. Estamos falando de Pinheirinho, e do que pode acontecer ao Quilombo Rio dos Macacos e ao Calabar.

Mal nossas redes sociais anunciavam o massacre em Pinheirinho e já fomos bombardeados pela notícia de que uma comunidade aqui, bem perto de nós, estava passando pelo mesmo problema. Uma comunidade quilombola, negra em sua essência e, infelizmente, empobrecida. Comunidade que se tornou vítima de constantes ameaças por parte daqueles que deveriam garantir seus direitos de moradia digna e de segurança.

O Quilombo Rio dos Macacos é uma comunidade histórica, que fica próxima a Base Naval de Aratu.  Depois de mais de um século vivendo na região, depois de tanto tempo de resistência ao Estado racista e classista brasileiro, os moradores estão sendo sufocados e convidados a se retirarem da terra que é sua. Sua porque seus ancestrais estão presentes ali, porque é dali que muitos tiram seu sustento, pescando e praticando a agricultura. Só quem é quilombola, indígena ou quem luta diariamente no MST sabe o valor que a terra tem. Um valor para além dos bens materiais que nós, moradores dos centros urbanos, não podemos compreender.


E o que a UFBA tem a ver com isso?
A Universidade pública Brasileira é composta (ou deveria ser) pelo tripé: Ensino, Pesquisa e Extensão. A UFBa tem grande dificuldade de criar uma verdadeira política de extensão que dialogue com a realidade baiana. Estamos localizados ao lado da comunidade do Calabar e do Alto das Pombas, e até hoje não conseguimos estreitar relações com elas. A comunidade do Calabar é criminalizada pelos mais variados setores da sociedade: pela mídia, pela polícia, pela classe média alta, que enxerga a comunidade como um problema social. Lamentavelmente, a UFBa reafirmou os estereótipos que são veiculados, pois definiu como política de segurança universitária a criação de um muro físico para dividir aquilo que já está segregado em nosso comportamento social: a “intelectualidade”, o suposto espaço onde se produz “conhecimento”, daqueles que são considerados marginais.

No último Consuni (Conselho Universitário), onde se define alguns rumos da Universidade, foi aprovada a reintegração de posse do Calabar. Enquanto a sociedade luta contra a utilização do aparato de defesa do Estado, a Marinha, na opressão aos quilombolas do Rio dos Macacos, a UFBa, que  tem aparato técnico e teórico para propor soluções ao Estado e efetivar uma  política de integração com a comunidade, prefere reforçar uma colocação que detém os direitos básicos de qualquer cidadão, que é a moradia. Aliado a isso, um prédio de luxo ocupa um espaço também da UFBa, na Cardeal da Silva, e a única resposta da Universidade é que tal terreno foi concedido. O mais irônico disso é que a Universidade divulgou uma nota de apoio ao Quilombo Rio dos Macacos.


E o que o Centro Acadêmico tem a ver com isso?
O Centro Acadêmico de História Luiza Mahin tem lado, posicionamento político e ideológico. Está do lado daqueles que sempre lutaram pela sua historicidade, pelo reconhecimento e pelos seus direitos. Travamos há muito tempo lutas por uma efetiva política de extensão. Defendemos que a universidade pública consiga ultrapassar seus muros físicos e invisíveis e ponha em prática o que na teoria já é o seu dever como instituição Federal.

No semestre passado, foi aprovada em Assembléia do Cahis a criação de uma ACC (Atividade Curricular em Comunidade), que terá como objetivo principal provocar uma verdadeira extensão e promover a troca de saberes com a comunidade. E após sermos informados do resultado do último consuni, não podemos nos calar enquanto estudantes, militantes e cidadãos. O Centro Acadêmico chama a comunidade acadêmica para barrar a postura covarde da UFBa para com o Calabar.


E o que você tem a ver com isso?
Você tem tudo a ver com isso, essa luta é de tod@s nós. Você também é a universidade. Você também é o centro acadêmico. Você é, antes de tudo, um cidadão. Nós, estudantes, devemos permanecer atentos e não desgrudar nem por um segundo do que está acontecendo na comunidade Quilombo Rio dos Macacos, além de nos mobilizarmos para a situação do Calabar. Vamos nos organizar agora, não permitindo que essa arbitrariedade aconteça diante de nós. Se ausentar da discussão é assumir a culpa!

Procure a Coordenação executiva do CAHIS para pensarmos, juntos, a melhor forma de atuação. Você está inserido numa sociedade que lhe deu o privilegio de frequentar a universidade, enquanto a maioria está fora dela, sem acesso e com as mínimas chances de adentrar nesse espaço. Devemos ter um comprometimento real para transformar essa situação.



Desde já, contamos com todas e todos @s estudantes de História.

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