Enquanto houver luta, haverá História!

GESTÃO: ATITUDE & RESISTÊNCIA
Mãos Dadas-

domingo, 17 de junho de 2012

A nossa greve tem lenço e documento!


O movimento estudantil está vivo! E com uma nova conjuntura, onde o saudosismo de alguns, que recorrem à década de 70 e 80 para se lamuriar e comparar ao movimento que vêem hoje, não é capaz de resolver os problemas. Se há algum lugar que devemos (re)correr, é para as ruas. Temos que ir à luta, mostrar a nossa cara de movimento social e obter conquistas concretas, pois greve sem conquista não serve, não queremos uma greve assim! Queremos resultados. O CAHIS tem opinião política, bandeira social e postura definida. Somos a favor da greve e continuaremos a construir cada ato, cada mobilização, cada aula pública e cada assembléia.

Nem todos os estudantes aderiram ao movimento de greve, alguns por opção de classe, outros por falta de entendimento ou por indecisão. Mas acreditamos, veementemente, que ainda é possível alcançar a tod@s. Os discentes de Engenharia Ambiental deflagravam greve, e a politécnica tem se engajado cada vez mais. Esse envolvimento é de extrema relevância, pois a Poli é a unidade com maior número de estudantes da UFBA e forma profissionais, juntamente com arquitetura, que têm a responsabilidade de nos convidar para discutir um desenvolvimento urbano consciente, onde  a qualidade de vida e o meio ambiente sejam levados em conta.

A greve não existe apenas para conquistarmos dias melhores na UFBA; ela existe, também, para que nossa voz se junte a mais de outras 50 vozes federais que clamam por educação pública de qualidade. Precisamos de reforma acadêmica, estrutural e de valores. A FACED não está preparada para lidar com a diversidade. Somos discentes de licenciatura e já presenciamos episódios constrangedores, onde o estudante homoafetivo não se sentia à vontade para participar da aula. Isso é reflexo do quão conservadora a nossa educação ainda é.

E o que é a tal diversidade?... Muitos adoram os gritos coletivos com as palavras diversidade, democracia e popular, mas poucos têm coragem de destrinchar esses motes. O que é uma universidade diversa, democrática e popular? Para a atual gestão do CAHIS, a resposta não se limita à presença de LGBTs, negr@s e pobres. Para nós, até que o Brasil se torne o país ideal, o lugar dos sonhos, as cotas sociais precisam existir! Somos a favor das cotas e não as enxergamos como um demérito. Os brasileiros e as brasileiras que sonham com o ensino superior não podem esperar, nem limpar as cozinhas da classe média, até que haja vagas para tod@s.


O ME precisa defender que os currículos tragam a transversalidade de gênero, raça e sexualidade. Precisamos garantir que os LGBTs usem nome social na Universidade. Os residentes precisam de tratamento digno. E chega de conviver com o auxílio miserável e humilhante que a UFBA oferece aos estudantes em vulnerabilidade social. A UFBA precisa assumir suas responsabilidades com cada um de nós, inclusive com os que não tiveram acesso a ela. A Universidade para além dos seus muros precisa ser concretizada, temos que interagir com as comunidades ao nosso entorno, conhecendo-as e estabelecendo uma relação mútua. Para nós, esses são os primeiros passos para que a UFBA saia do seu reduto de classe média.

O rótulo de militante não agrada a todos, seja pelo mito de que militante tem vida acadêmica medíocre, ou pelo argumento de que militante partidário é um atentado a legitimidade do movimento. Parece que a identidade de ativista vive uma espécie de crise... Em tempos de facebook, curtir e compartilhar os problemas sociais tem sido o mais próximo da militância que alguns chegaram. As redes sociais são úteis e indispensáveis à propagação do movimento, mas as ruas e o contato físico ainda são os melhores atenuantes de consciência social. A inquietação é um motor indispensável à militância. Militamos porque acreditamos na transformação, porque o status quo nos inquieta. Militamos porque somos educadores e é nosso papel formar outros militantes. O capitalismo forma o seu exercito, nós temos que formar o nosso.

O Atitude & Resistência sempre afirmou que militância e academia podem caminhar em consonância! E não existem controvérsias em torno disso: a formação profissional e pessoal são bem sucedidas se andarem juntas. Ser contra a greve por uma questão de formação, ou melhor, de formatura, não é só uma opção um tanto egoísta, pois até os individualistas desejam desfrutar de melhores condições de estudos, com acervo bibliográfico suficiente, com estrutura física e suporte tecnológico de qualidade. Ser contra essa greve é uma atitude irresponsável! Lutar pela educação não é uma tarefa de São Lázaro, nem da FACED. É uma luta de todos os cursos. Lutamos por um direito básico, que na teoria nos é assegurado- só na teoria. Se a greve de hoje atrasará a nossa formatura, é um risco que devemos correr em prol de outra formação, como cidadãos. É medíocre se formar e trabalhar para uma sociedade doente, repleta de dificuldades e sem direitos básicos assegurados.

O problema da educação no Brasil é bem maior que a vontade dos contrários à greve, é muito maior que todos os campi da UFBA juntos. É uma situação que não cabe birra nem picuinhas entre os coletivos universitários. Somos alguns estudantes que ocupam poucas vagas de uma universidade que é pública, mas não é gratuita. E que, ainda, não é democrática nem popular. Os reacionários optaram pelo recuo e por não participar desse momento histórico, onde vários setores sociais resolveram exigir melhores condições de sobrevivência. Aliás, até quando vamos lutar por sobrevivência ao invés de vivermos? Se depender do Centro Acadêmico de História da UFBA, gestão A&R, a luta pela Educação digna está declarada. Restam aos outros entenderem isso e não perderem o bonde da história.

E os movimentos sociais querem saber: Ministro Aloizio Mercadante, a que você veio?!   

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