O movimento estudantil está vivo! E
com uma nova conjuntura, onde o saudosismo de alguns, que recorrem à década de 70
e 80 para se lamuriar e comparar ao movimento que vêem hoje, não é capaz de resolver
os problemas. Se há algum lugar que devemos (re)correr, é para as ruas. Temos
que ir à luta, mostrar a nossa cara de movimento social e obter conquistas
concretas, pois greve sem conquista não serve, não queremos uma greve assim!
Queremos resultados. O CAHIS tem opinião política, bandeira social e postura
definida. Somos a favor da greve e continuaremos a construir cada ato, cada
mobilização, cada aula pública e cada assembléia.
Nem todos os estudantes aderiram ao
movimento de greve, alguns por opção de classe, outros por falta de
entendimento ou por indecisão. Mas acreditamos, veementemente, que ainda é
possível alcançar a tod@s. Os discentes de Engenharia Ambiental deflagravam
greve, e a politécnica tem se engajado cada vez mais. Esse envolvimento é de
extrema relevância, pois a Poli é a unidade com maior número de estudantes da
UFBA e forma profissionais, juntamente com arquitetura, que têm a responsabilidade
de nos convidar para discutir um desenvolvimento urbano consciente, onde a qualidade de vida e o meio ambiente sejam
levados em conta.
A greve não existe apenas para conquistarmos
dias melhores na UFBA; ela existe, também, para que nossa voz se junte a mais
de outras 50 vozes federais que clamam por educação pública de qualidade. Precisamos
de reforma acadêmica, estrutural e de valores. A FACED não está preparada para
lidar com a diversidade. Somos discentes de licenciatura e já presenciamos episódios
constrangedores, onde o estudante homoafetivo não se sentia à vontade para
participar da aula. Isso é reflexo do quão conservadora a nossa educação ainda
é.
E o que é a tal diversidade?... Muitos
adoram os gritos coletivos com as palavras diversidade,
democracia e popular, mas poucos têm coragem de destrinchar esses motes. O
que é uma universidade diversa, democrática e popular? Para a atual gestão do
CAHIS, a resposta não se limita à presença de LGBTs, negr@s e pobres. Para nós,
até que o Brasil se torne o país ideal, o lugar dos sonhos, as cotas sociais
precisam existir! Somos a favor das cotas e não as enxergamos como um demérito.
Os brasileiros e as brasileiras que sonham com o ensino superior não podem
esperar, nem limpar as cozinhas da classe média, até que haja vagas para tod@s.
O ME precisa defender que os
currículos tragam a transversalidade de gênero, raça e sexualidade. Precisamos
garantir que os LGBTs usem nome social na Universidade. Os residentes precisam
de tratamento digno. E chega de conviver com o auxílio miserável e humilhante
que a UFBA oferece aos estudantes em vulnerabilidade social. A UFBA precisa
assumir suas responsabilidades com cada um de nós, inclusive com os que não
tiveram acesso a ela. A Universidade para
além dos seus muros precisa ser concretizada, temos que interagir com as comunidades ao nosso entorno, conhecendo-as
e estabelecendo uma relação mútua. Para nós, esses são os primeiros passos para
que a UFBA saia do seu reduto de classe média.
O rótulo de militante não agrada a todos,
seja pelo mito de que militante tem vida acadêmica medíocre, ou pelo argumento
de que militante partidário é um atentado a legitimidade do movimento. Parece
que a identidade de ativista vive uma espécie de crise... Em tempos de facebook,
curtir e compartilhar os problemas sociais tem sido o mais próximo da
militância que alguns chegaram. As redes sociais são úteis e indispensáveis à
propagação do movimento, mas as ruas e o contato físico ainda são os melhores
atenuantes de consciência social. A inquietação é um motor indispensável à
militância. Militamos porque acreditamos na transformação, porque o status quo nos inquieta. Militamos
porque somos educadores e é nosso papel formar outros militantes. O capitalismo
forma o seu exercito, nós temos que formar o nosso.
O Atitude & Resistência sempre afirmou que militância e
academia podem caminhar em consonância! E não existem controvérsias em torno
disso: a formação profissional e pessoal são bem sucedidas se andarem juntas.
Ser contra a greve por uma questão de formação, ou melhor, de formatura, não é
só uma opção um tanto egoísta, pois até os individualistas desejam desfrutar de
melhores condições de estudos, com acervo bibliográfico suficiente, com
estrutura física e suporte tecnológico de qualidade. Ser contra essa greve é
uma atitude irresponsável! Lutar pela educação não é uma tarefa de São Lázaro,
nem da FACED. É uma luta de todos os cursos. Lutamos por um direito básico, que
na teoria nos é assegurado- só na teoria. Se a greve de hoje atrasará a nossa
formatura, é um risco que devemos correr em prol de outra formação, como
cidadãos. É medíocre se formar e trabalhar para uma sociedade doente, repleta
de dificuldades e sem direitos básicos assegurados.
O problema da educação no Brasil é
bem maior que a vontade dos contrários à greve, é muito maior que todos os
campi da UFBA juntos. É uma situação que não cabe birra nem picuinhas entre os
coletivos universitários. Somos alguns estudantes que ocupam poucas vagas de
uma universidade que é pública, mas não é gratuita. E que, ainda, não é democrática
nem popular. Os reacionários optaram pelo recuo e por não participar desse
momento histórico, onde vários setores sociais resolveram exigir melhores condições
de sobrevivência. Aliás, até quando vamos lutar por sobrevivência ao invés de
vivermos? Se depender do Centro Acadêmico de História da UFBA, gestão A&R,
a luta pela Educação digna está declarada. Restam aos outros entenderem isso e
não perderem o bonde da história.
E os movimentos sociais querem
saber: Ministro Aloizio Mercadante, a que você veio?!



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