Enquanto houver luta, haverá História!

GESTÃO: ATITUDE & RESISTÊNCIA
Mãos Dadas-

terça-feira, 12 de julho de 2011

Dilemas do Movimento Estudantil: o novo com cara de velho!




A UNE tem mais de 70 anos de história e de lutas. Surgiu em 1937, mobilizando a juventude para que o Brasil lutasse contra o Nazi-Fascismo da 2ª Grande Guerra. Foi protagonista na campanha “O Petróleo é Nosso”, na construção dos projetos de reformas de base do governo João Goulart, nas “Diretas Já” e no “Fora Collor”. Nós do CAHIS, gestão Atitude & Resistência, defendemos que a UNE precisa voltar a ser o movimento que encabeça as principais lutas da classe trabalhadora.

Infelizmente, a UJS (União da Juventude Socialista), que está à frente da UNE há mais de vinte anos, fez a opção de dirigir a entidade de forma cada vez mais institucionalizada, conciliatória, defensiva e antidemocrática. Isso, e o conseqüente descenso das lutas sociais como um todo, faz com que a UNE seja cada vez menos reconhecida por sua base social: nós, estudantes.

Frente a esta situação, em 2004, um setor do movimento estudantil- encabeçado pela Juventude do PSTU, “rompeu” com a UNE e propôs a criação de uma nova entidade. Em sua primeira tentativa, criou a Coordenação Nacional de Lutas Estudantis (CONLUTE). Com sua baixa adesão, transformou-a em agrupamento político, construindo a Frente de Lutas Contra a Reforma Universitária, outra frente de atuação por fora da UNE que também não deu certo.

Com a falência das duas experiências, resolveram cons

truir um Congresso Nacional de Estudantes (CNE), tentando atrair outros setores insatisfeitos com os rumos da UNE. Deste Congresso surge a ANEL – Assembléia Nacional de Estudantes – Livre. Infelizmente, estudantes e setores organizados do ME que foram ao CNE, acreditando na possibilidade de arquitetar um novo Movimento Estudantil, viram ser reproduzidos os mesmos erros e vícios do ME tradicional da UNE: a hegemonia de uma única força política, a falta de democracia e transparência na escolha de delegadas/os e, principalmente, a falta de legitimidade na base.

Este ano, vimos os mesmos métodos se repetirem nas tiragens de delegados para o 1º Congresso da ANEL: eleições que ninguém viu, por fora e sem diálogo com os CAs e carente de debate claro sobre a crise geral do ME. O CAHis Luiza Mahin, por exemplo, em nenhum momento foi procurado por representantes da ANEL a fim de construir um diálogo politizado sobre o Congresso e sobre a representação do curso no mesmo. Os delegados que, supostamente, representaram o curso de História da UFBA foram eleitos de forma irresponsável, sem debate nos fóruns de deliberação do curso (reuniões periódicas e abertas de Centro Acadêmico ou assembléia de estudantes). Ou seja, construíram a tiragem de delegados à revelia do movimento real existente na base do curso. Optaram por edificar esse processo “na surdina”, por fora não só da UNE, mas das entidades de organização de base, como é o CA. No fim das contas, acabaram contribuindo imensamente para a reprodução de vícios e erros do ME tradicional.

A gestão Atitude & Resistência repudia a atitude da Juventude do PSTU que, ao invés de apresentar um debate sério sobre a atual conjuntura do ME, favorecendo o amadurecimento político dos estudantes de História, preocupou-se meramente em fazer com que o máximo de estudantes “vestissem a camisa” da ANEL (no sentido figurado e literal), reproduzindo o clima de gincana que os Congressos da UNE costumam ter. Acreditamos que esse é um método equivocado de se propor um novo Movimento Estudantil. Começaram muito mal.

Sem fórmulas Mágicas, sem respostas fáceis: mudar o ME pela BASE!

Acreditamos que as experiências de rearticulação nacional por fora da UNE não obtiveram sucesso por diversos motivos: o sectarismo, a forma maniqueísta de se tratar a questão, a partidarização do problema, e a ilusória avaliação de que a base dos estudantes clamava por uma nova direção.

Não existem soluções fáceis para os problemas pelos quais o movimento estudantil atravessa nos últimos anos. A criação de qualquer entidade, ou outro tipo de articulação nacional, não é a solução para os problemas, pelo contrário, divide, enfraquece o movimento e se torna uma opção demasiadamente fácil quando não se tem vontade de lutar por uma UNE representativa e pela base. Alternativas feitas nesses moldes, sem fazer o debate real da crise do movimento estudantil na base, estão fadadas ao fracasso.

O peleguismo e falta de democracia de um lado (atual situação da UNE) e o divisionismo e sectarismo do outro (alternativa da ANEL), só se combatem com a luta cotidiana de tod@s. Precisamos construir um novo ME na base, um ME que ofereça espaço para militarmos a partir de nossas experiências vividas. O Movimento Estudantil precisa voltar a ser um espaço de construção coletiva, e não a necessária opção por um grupo ou outro, por um partido ou outro.

Nosso papel como Centro Acadêmico e integrantes do movimento estudantil – portanto, integrantes da UNE - é trazer a UNE para perto das/dos estudantes, disputando-a em cada mobilização, em cada luta encabeçada pela entidade. Além disso, continuaremos fazendo a diferença na nossa ação cotidiana: construindo e disputando os rumos da UNE, debatendo de forma horizontal a conjuntura do ME, seja através de GDs ou de material informativo; e construindo nossas mobilizações a partir de fóruns abertos, de participação geral e coletiva, como está sendo construída a nossa V Semana de História.

É nosso papel também fazer contínua autocrítica de atuação de cada um e de cada uma de nós no cotidiano do movimento. Devemos refletir sobre as novas maneiras da juventude se organizar, devemos tornar nossos espaços mais democráticos e plurais, buscando unidade nas nossas lutas e fazendo muito trabalho de base para preparar o Movimento Estudantil para grandes mobilizações e conquistas, trazendo assim mudança para a cultura política do ME.

Devemos construir juntos, um Movimento que considere cada estudante como protagonista da transformação radical da sociedade!

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