Voto Nulo, Consciência limpa?!
Em ano de eleições, todos nós
somos tocados pela política, mesmo que minimamente. É nessa época que aparecem
panfletos por todas as partes e o horário eleitoral gratuito, onde são expostas
as propostas de cada candidato. Contudo, muitas pessoas se colocam à parte do processo
político, alegando que todos os políticos não prestam, ou que são todos iguais.
E assim optam por não votar, ou usam o voto branco/nulo como protesto.
Isso é reflexo basicamente de
duas falhas: o “corpo a corpo” atrasado entre partido e eleitorado, e o desinteresse
dos eleitores para com a política. Na primeira falha, os partidos acabam
deixando para fazer o “corpo a corpo” em cima da hora - o que não impede o
eleitorado de se inteirar do processo (que não se resume em assistir ao Jornal
Nacional e/ou ler a Revista Veja... essas porcarias em geral); afinal, se
contentar com um debate raso e tecer opiniões medíocres sobre a conjuntura do
país, não melhora em nada a nossa situação.
Dessa forma, usar o voto branco/nulo como estratégia serve apenas para deixar a consciência
limpa. Decerto que muitas estratégias e táticas eleitorais são inescrupulosas, mas
esse fato tem profundas raízes no Estado Burguês (o estado da aristocracia, dos
grandes empresários, dos banqueiros...), que sempre usou a politica como forma
de manter a realidade desigual, baseada na exploração do povo. Então, não é votando
nulo que vamos mudar a sociedade, pelo contrário, essa prática só tem
colaborado com a manutenção da lógica opressora.
O voto é uma das ferramentas que
temos para lutar por melhorias, então não devemos desperdiçá-lo. Analisar cada
candidato, sua trajetória política e suas principais propostas, tal como a do
seu partido, é o melhor caminho para usar de forma sábia nosso voto. E não
podemos esquecer de que não votamos num ser isolado, votamos num projeto
político!
É comum ouvirmos pessoas afirmarem
que o processo eleitoral não muda nada. Esse argumento é um sofisma e só ajuda aos
seguimentos conservadores, que sempre se empenharam em tornar a política um
privilégio de poucos. Devemos disputar todos os espaços, nos envolvendo com o
contexto político que nos rodeia e nos instrumentalizando para transformar a
lógica atual.
Nosso país é marcado pela deturpação,
quando não pela criminalização da política (culpa das porcarias em
geral). Os setores midiáticos apenas mostram os grandes escândalos políticos –
mais uma forma de defender seus interesses. Tais setores não se comprometem com
um debate transparente, que demonstre as verdadeiras faces do jogo. Usam sempre
a comunicação em massa para manipular e distorcer informações a favor de sua
classe (da aristocracia, dos grandes empresários, dos banqueiros...).
Com isso, muitas pessoas acabam
resumindo política ao ano eleitoral, ficando o resto do tempo indiferente a
tudo que acontece nesse âmbito. Esse é um dos problemas que mostra seu fenótipo
no voto branco/nulo - por achar que a política em nada interfere na vida real.
Além de votar, temos que nos
inteirar das decisões. Assim, criamos capacidade crítica para confrontar
a realidade e exigir mudanças. Só assim, de fato, podemos fazer um protesto
qualificado e atingir o cerne do problema, pois protestar com voto branco/nulo
é uma escolha egoísta diante dos problemas que o Brasil tem.
Ademais, Quando não votamos, muitas vezes, ajudamos a eleger candidatos
e partidos com histórico de corrupção e descompromisso. Por isso, não podemos
nos dar ao luxo de ter fetiche pelo voto nulo. Um fetiche que, vale ressaltar,
tem maioria na classe média.

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