XXXI ENEH: o GD de
Antiproibicionismo fez falta!
Ocorreu neste ano de 2012 o 31º Encontro Nacional dos
Estudantes de História, no Campus da Universidade Federal de São Paulo
(UNIFESP), em Guarulhos. O Encontro teve como tema “ME: Nas Ruas, Nas Salas, Nas praças”. Durante o evento, conseguimos
acúmulo sobre velhos conhecidos da FEMEH, como o debate LGBT’s, de Negras e
Negros, de Mulheres e de Movimento Estudantil. Entretanto, mais uma vez, a
questão das drogas, apesar de estar presente nas ruas, nas praças e nas salas de aula, não foi contemplada pela
Federação.
Os momentos de culturais, como o famoso Batizado na noite
da Babilônia, seguido da Plenária da
FUMEH, já são tradição nos Encontros. Em muitos desses momentos, o uso de
drogas é algo recorrente. Apesar disso, a Federação continua a tratar a
discussão com vistas grossas, sem considerar que esse debate deveria estar
ligado a todos os outros historicamente discutidos nesses 25 anos de FEMEH.
O uso de psicoativos está presente em todas as instâncias
da sociedade, mas é o segmento mais pobre da população que sofre na pele com o
proibicionismo adotado pelo Estado - as drogas têm servido de justificação para
o extermínio da juventude negra de periferia. A nossa legislação tem se
mostrado ineficaz ao tratar do comercio de drogas, além de ser um empecilho na
efetivação de uma política que atenda aos usuários, colaborando, portanto, para
que esses usuários se tornem cada vez mais marginalizados.
Os problemas que enfrentamos e que estão relacionados ao
comércio de entorpecentes, se iniciaram ou se agravaram somente no início do
século XX, exatamente no período de adoção da política internacional de combate
às drogas. Até esse período, as substâncias que conhecemos como ilícitas não
eram um problema para sociedade, pelo contrário, para alguns povos, possuíam
importância tal como os alimentos. Portanto, o que deve ser discutido e
solucionado hoje, não são as drogas por si só, mas a forma como lidamos com
elas. Será mesmo que a única forma de encarar as drogas é através do combate?
Os usuários devem continuar a ser marginalizados? Os comerciantes devem
continuar lotando o sistema carcerário? Qual o perfil de quem está na cadeia?
Questões como essas é que precisam começar a permear as discussões dentro da
nossa Federação.
É de suma importância que nós, futuros professores e
historiadores, discutamos a cerca deste assunto tão corriqueiro no nosso
dia-a-dia, e que saibamos lidar com ele, pois, certamente, será uma realidade a
ser enfrentada nos nossos futuros ambientes de trabalho, principalmente na sala
de aula. Nesse sentido, o Centro Acadêmico de História Luiza Mahin deu o
pontapé inicial, propondo na Plenária Final do 31º ENEH, a criação de um Grupo
de Discussão Permanente acerca do Antiproibicionismo. Com certeza, no próximo
EREH-NE, que será sediado na Bahia, esse Grupo de Discussão terá importância
equivalente aos grupos que estão sempre presentes nos encontros.
Vamos nos instrumentalizar sobre o debate de Drogas e
propor alternativas que dispute a opinião pública, e que seja condizente com a
realidade do nosso país. E já sabemos que aqui no Brasil, a juventude que é
sacrificada pelo antiproibicionismo é a juventude negra, pobre e de periferia.
Tod@s estão convidados a construir o conosco esse GD!

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